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Mostrando postagens de 2020

O CHATO QUE TORNA O MUNDO MENOS CHATO

Há 20 anos, o HBO estreava uma série inusitada, ‘Curb your enthusiasm’ (‘segure a onda’). Era uma espécie de meta reality show, no qual acompanhávamos o dia a dia de um coroa rabugento, Larry David (como ele mesmo), em suas andanças por Los Angeles (cafés, restaurantes, campos de golf etc) e pelas casas de amigos famosos de Hollywood (alguns também como eles mesmos; outras vezes, fazendo personagens. a lista de convidados famosos é imensa). O detalhe é que, Larry, é ninguém menos do que um dos co-criadores de ‘Seinfeld’, aquela série sobre nada, que fez o maior sucesso nos anos 90, e virou cult.


O que fez de 'curb' um sucesso -- que perdura por duas décadas --, é que, Larry nunca escondeu que é um ferrenho guerreiro contra o politicamente correto e contra agendas ideológicas idiotas. Ele, como judeu, p ex, está pouco se lixando se assoviar Wagner (tido como anti-semita, mesmo tendo morrido antes da chegada de Hitler) vai incomodar. Ou se podemos usar o banheiro para deficientes…

OI, VEY! HUNTERS É TOV!

Assinei o serviço de streaming Prime Video, da Amazon, por causa de 'The Boys' (e, pela ótima promoção do valor anual de inauguração, apenas $80, à vista). Mas, se fosse hoje, o faria por 'Hunters'. Desde 21 de fevereiro, estou grudado na nova série original Amazon. Ela marca a estreia de Al Pacino na TV. Na verdade, Pacino estreou numa série policial para TV, “N.Y.P.D”, em 1968. Mas, num papel pequeno e num único episódio. Agora, ele é o ator principal. E, chamar “Hunters” simplesmente de ‘série de TV’ é reduzir bastante as qualidades da atração, já que a TV, hoje em dia, está tão boa - ou melhor - do que o cinema. Exemplos não faltam.


 O piloto de 'Hunters', por exemplo, é um sensacional filme de 90 minutos, que não apenas vende muito bem a ideia, como deixa gosto de quero (muito) mais, com um bom gancho para sequência (são 10 episódios). A trama, acompanha um grupo de caçadores de nazistas em Nova York, em 1977 (usando fatos que realmente aconteceram na époc…

NOVO HOMEM INVISÍVEL, TORNA VISÍVEL UM PROBLEMA

Recentemente, a Universal Pictures falhou, fragorosamente, ao tentar fazer de sua linha de Universal Monsters (Dracula, Lobisomen, A Múmia, O Homem Invisível etc) uma série de sucesso, na linha de outras, como a dos quadrinhos Marvel e DC, as diversas marcas de êxito da Disney (Star Wars, Pixar) e tantas mais, que vem dominando as bilheterias de cinema nos últimos tempos. O começo foi discreto, com um filme OK, que contava as origens da Drácula (‘Dracula untold’/’Drácula: a história nunca contada’, 2014). Depois, cheia de pompa, com direito a criação oficial do Dark Universe, veio ‘A múmia’ (2017), que naufragou. O problema? Parecia mais um filme ‘Missão: impossível’, com Tom Cruise e tudo, fazendo suas acrobacias. Não é tão ruim. Mas, Cruise, neste caso, mais atrapalhava do que ajudava. Má escolha.


Agora, sem grandes nomes no elenco, e mais discreto, chega o novo ‘O Homem Invisível’ (que, no Dark Universe, seria feito por Johnny Depp), de Leigh Whannell, o australiano que criou as…

O PRIMEIRO (E ÚNICO) ZÉ DO CAIXÃO. R.I.P.

Praticamente, conheço, e tenho (tinha) medo de Zé do Caixão, desde criancinha. Meu pai, via os filmes dele e me falava da figura, pra assustar (tipo, se você não fizer tal coisa, zé do caixão vem te pegar à meia-noite). Mesmo sem poder ver os filmes, morria de medo só de ouvir a música dele. Na época, virada dos 60s pros 70s, Zé do Caixão, mais do que um nome cinematográfico, já era uma espécie de lenda folclórica, bicho papão brazuca. Eu não sabia, então, que ele realmente existia como pessoa. Só nos anos 80, a partir de cartazetes de cinema nos jornais, vi que ele existia de verdade. E era um ator. O meu primeiro filme dele (que, na época, não assisti, sonhava apenas vendo o cartaz) foi 'A estranha hospedaria dos prazeres'. sim, era um terror meio erótico. depois de seus primeiros filmes em p-b, assustadores, Zé teve de se virar como pode para não sair do mercado.




   Pulo no tempo e, estamos nos 90s, e uma festa de terror, na extinta Dr. Smith (Botafogo), promete apresent…

ABRAM OS OLHOS PARA O CINEMA COREANO!

Com a vitória de ‘Parasita’, nas principais categorias do Oscar 2020 (filme, diretor, roteiro original), o moderno cinema sul-coreano, entrou no mapa-múndi, de vez. Porque, filmes bons, estão produzindo há mais de década. Basta lembrar de ‘Oldboy’ (2003), de Chan-Wook Park, um dos mais complexos e perturbadores filmes de vingança de todos os tempos. Hollywood refilmou, com direção de Spike Lee, e foi uma tragédia. Ruim demais. Não tiveram a coragem de ir tão a fundo quanto o original. Então, pra quê?


Desde então, quase todo ano, um excelente filme sul-coreano chega às telas dos cinemas daqui, ainda que atrasado. No Brasil, sempre relegados a salas alternativas, com público pequeno (será porque coreanos? Nos EUA, é a preguiça de ler legendas). Como aconteceu com ‘O hospedeiro’ (2006), de Bong Joon Ho (diretor do aclamado ‘Parasita’), que foi lançado no circuito de arte. E ficou só nele.


Assim como aconteceu com o maior e mais ambicioso filme de Ho, até aquele momento, ‘Expresso do am…

SEXO, DROGAS E MÚSICA CLÁSSICA

Nos dias atuais, todo mundo só quer ver o que acabou de sair e o que está hypado nas redes. Às vezes, deixamos passar coisas boas, porque não estão nos trendings. É o caso de “Mozart in the Jungle”, ótima série do Amazon Prime Video. A produção é de 2014 e foi encerrada em 2018, após quatro temporadas (pena). Na primeira, ganhou dois Globos de Ouro. Um, na categoria ‘melhor série comédia ou musical’. E outro, para o protagonista, Gael Garcia Bernal. Como, na época, a Amazon ainda não tinha entrando com o seu serviço de streaming no Brasil (mal tem um ano aqui), nem tomamos conhecimento.


Então, está na hora de descobrir essa excelente surpresa, que tem entre os seus criadores os primos Jason Schwartzman e Roman Coppola, da nova geração de Hollywood. Eles já andaram fazendo muitas coisas boas nos últimos anos, aliados a Sofia Coppola (irmã de Roman, ambos filhos do mestre Francis Ford Coppola) ou ao criativo Wes Anderson. Essa turma escreve, produz, atua, dirige, tudo junto e misturado. …

1917: AÇÃO NUM FÔLEGO SÓ

O novo filme de Sam Mendes, ‘1917’ (que já ganhou o Globo de Ouro de melhor filme, e concorre ao Oscar 2020 na mesma categoria, como um dos favoritos) tem como principal chamativo o fato de ter sido filmado ‘num take só’. Ele começa num determinado ponto - mostrando um jovem soldado, incumbido de levar uma mensagem além das linhas inimigas - e termina quando este mesmo soldado chega ao seu destino. De um ponto ao outro, acompanhamos toda a sua jornada, de uma vez só, como se fossemos a câmera, teoricamente, sem takes extras.


Mas, sabemos que não é bem assim. E que, isso, nem é novidade. O recente ‘Birdman’ (que ganhou Oscars de melhor filme e direção, em 2015), teoricamente, também foi rodado assim, ‘num take só’. Sem contar o pioneirismo de Alfred Hitchcock, que, em 1948, já havia rodado ‘Festim diabólico’ (‘Rope’), da mesma forma. No caso de Hitch, sem os recursos que os computadores nos dão hoje em dia, ele teve de calcular exatamente quando os rolos dos filmes acabavam, para con…

O FIM DO TESTE DO SOFÁ

A faísca do movimento ‘me too’, que luta contra o assédio sexual em locais de trabalho (não só), começou em 2006, envolvendo uma pessoa no MySpace. Mas, só na década passada, explodiu. E, nos Estados Unidos, um dos casos mais fortes, certamente, foi o que envolveu acusações contra Roger Ailes, diretor do canal Fox News, que, depois de acusado por uma das apresentadoras da emissora (após ter sido mandada embora por ele), acabou fazendo com que outras funcionárias e apresentadoras tomassem coragem para denunciá-lo.


Essa história, é mais ou menos contada, em ‘O escândalo’ (‘Bombshell’), de Jay Roach, que estreia no Brasil esta semana. Mais ou menos, porque o filme não mergulha a fundo no caso, apenas o revela, pelo olhar de duas das mais (então) famosas apresentadoras da rede, as louras Gretchen Carlson (Nicole Kidman) e Megyn Kelly (Charlize Theron); e de uma terceira personagem, fictícia (feita por Margot Robbie), que está lá para representar e fazer as ligações entre funcionárias do se…

O FALSO BRILHO DA AMBIÇÃO

Adam Sandler é o tipo do ator ame/odeie. Ele faz um humor que americano adora (seus filmes, por pior que sejam, faturam muito bem nos EUA, embora venham fazendo menos sucesso ultimamente) e nosotros aqui não gostamos tanto assim. Geralmente, faz tipos metidos a engraçadinhos, mas que, no fundo, são verdadeiros malas-sem-alça. É essa a imagem que ele passa, do camarada carismático, mas irritante.


Pois bem, em ‘Jóias brutas’ (‘Uncut gems’), Sandler (que, geralmente, produz seus próprios filmes e, aqui, está controlado; ou seja: não é um filme de Adam Sandler, mas com ele) explora muito bem esse tipo, elevado à enésima potência, num trabalho bastante tenso e sério, que não tem nada de engraçado, a não ser nos fazer rir de nervoso. Como Howard Ratner, um joalheiro judeu do distrito dos diamantes, em Manhattan, que vive a vida freneticamente, equilibrado em apostas vultosas em jogos de basquete, penhora de relógios caríssimos e outros escambos. Tudo em volta da caótica vida de Howard gira e…

2019 em revista (work in progress)

algumas cosias que achei bacana no ano passado:

'THE MANDALORIAN' = a série derivada do universo star wars com o mandaloriano (pedro pascal), concebida por jon favreau, é uma maravilha para fãs e não fãs. Traz a estética dos filmes originais, um personagem misterioso e carismático (apesar de sempre de capacete), um clima de western com filme de samurai e, a grande cartada: baby yoda! até a trilha sonora e os atores coadjuvantes (entre eles werner herzog!) são perfeitos. unica serie do ano que assisti cada episódio com gosto, esperando pelo da semana seguinte (toda sexta-feira). chegará aqui em meados do ano, via disney+



TAMBÉM NA TV: 'SUCCESSION' E 'YEARS & YEARS" (HBO), nada que netflix lance, chega sequer perto da qualidade HBO, pq estes, não querem agradar a todos e não fazem concessões. A primeira, apresenta a família mais podre e vil já mostrada numa série de TV. A segunda, faz uma reflexão/previsão do que estamos vivendo e do que está por vir. vale c…