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O SOM DO SILENCIO


  Este blog nunca foi para ser só de cinema (e, nem é). Mas, de cultura em geral. E, até mesmo, de assuntos pessoais do escriba. Contudo, atualmente, tenho visto pouca coisa que valha a pena na musica e outros meios. Por isso, o foco mais em cinema e TV. E, um os filmes que estreia nesta quinta, no Brasil, é dirigido por um camarada que fez fama numa série de TV, John Krasinski. Ele foi o bacaninha Jim Halpert, na versão americana (e bem sucedida) da série inglesa 'The office'.


Kras, é o diretor do eficiente thriller de terror 'Um lugar silencioso/A quiet place', no qual mostra que tem talento para construir clima e contar uma boa história, enxuta (90 minutos, quase um milagre hoje em dia, com a maioria dos filmes durando sempre mais de duas horas) e sem apelações. No filme em questão, passado num futuro próximo, grande parte da população do planeta foi extinta por uma raça de seres (alienígenas?), que atacam rápido e sem piedade. O único modo de escapar deles é ficar em silencio, já que, as misteriosas criaturas, tem um apurado senso de audição, mas são cegas. Tudo o que nos resta é ficarmos quietos e isolados. E, este pequeno filme, teve uma abertura bem acima do esperado, faturando $50mi na América do Norte, tirando do topo da lista o blockbuster 'Ready player one', do Spielberg. E, acima da estreia de duas outras pequenas produções do ano passado, que acabaram cruzando a barreira dos $100mi: 'get out' e 'fragmentado'.


Assim, acompanhamos a jornada de uma pequena família (pais e dois filhos), seis meses depois que essa ameaça chegou ao nosso planeta, e depois de uma perda trágica entre eles. O pai, é feito pelo próprio Krasinski; e, a mãe, é ninguém menos do que sua esposa na vida real, a inglesa Emily Blunt. No casal de filhos, a menina, é surda-muda (a atriz, Millicent Simmonds, de 'Wonderstruck', o é, de fato). Por isso, eles sabem se comunicar pela linguagem dos gestos, o que já ajuda bastante. O foco é todo neles, e na sua jornada pelo interior de algum recanto dos Estados Unidos. O elenco se reduz praticamente a meia dúzia de pessoas, eles e mais um personagem, que aparece no decorrer.



Já vimos produções semelhantes, que envolviam ameaças inexplicadas (como em 'The mist') ou com grupo de pessoas isoladas no mato, por conta de algum vírus ou mutação zumbi. Este filme poderia, até mesmo, ser mais um capítulo de 'Cloverfield' (que é da mesma Paramount). Mas, a narrativa, e os atores/personagens deste, nos cativam. E nos mantem quietos na cadeira, até o fim (com alguns sustos bem aplicados). Não é a primeira vez de Kras na direção. Ele começou com a comédia 'Brief inerviews with hideous men' (2009), dirigiu vários episódios de 'the office', e um drama para TV. Mas, podemos dizer que 'Um lugar silencioso" é seu primeiro grande passo como diretor. Se ele fizer mais alguns filmes assim, ficaremos gratos. Mas, antes, JK (que já entrevistei pessoalmente, na época do filme "Licença para casar"), será o protagonista da série de TV 'Jack Ryan', com o famoso personagem dos livros de Tom Clancy, que, no cinema, já foi interpretado por Harrison Ford.

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