
O cinema nos atinge das mais diversas formas. Seja pelas imagens, trilha, fotografia, atuações, pelo conjunto da obra ou isoladamente. O principal é nos fazer viajar, sonhar, ir para uma outra realidade. E fazer pensar. As imagens lentas e com valsas de Strauss de 2001 me impressionaram fortemente quando guri, bem como as tomadas e cortes de 'O ano passado em Marienbad' na adolescencia. Tive um pouco desse gosto vendo 'Melancholia', o novo Lars von Trier. Os trechos de 'Tristan und Isolde', de Wagner, aliados a bela fotografia, a camera panoramica, o clima sci-fi reflexivo, o texto, me deixaram fascinado/hipnotizado do começo ao fim. É uma experiencia. E tem de ser visto no cinema. Felizmente, a copia do Arteplex está uma maravilha.
Outro ponto forte do filme é a revelação de Kristen Dunst, a tipica americana lourinha dos filmes pop (já a apreciava menina em 'Small Soldiers'), numa atuação e entrega como jamais vimos antes (secundada por elenco internacional que tem desde o improvável Kiefer Shuterland e o versátil John Hurt às Charlottes Gainsbourg e Rampling). Esse é o filme que demarcará a sua carreira. E, Trier, tido como misógino (as mulheres sofrem um bocado em seus filmes) e mal interpretado numa serie de tiradas infelizes em Cannes, mostra que tem uma sensibilidade menos cruel de que em seus trabalhos anteriores, ele conseguiu captar algo da alma feminina que poucos homens conseguiriam. É um sci-fi cabeça, um 2012 da reflexão, uma percepção de uma certa intuição que só as mulheres tem, que funciona como o ruido sônico que só os cães captam. Escapa aos homens, não a todos. Tristemente belo.
*faz bom pendant com 'A arvore da vida', do Malick
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