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PRAZERES SINTÉTICOS


Noite dessas, antes de dormir, assisti a um doc da BBC muito bacana chamado 'Synth brittania', sobre a cena do synth/techno pop bretão, que começou ali, no fim dos 70s, com bandas como OMD, Human League e Joy Division inspiradas pelo som do Kraftwerk (claro), ate chegar nos grandes nomes, que levaram o som ao mainstream, como Gary Numan, Depeche Mode, New Order e Pet Shop Boys. Curioso notar, pelos deps da galera, que, no principio, eles não eram uma cena, como foi o punk, por exemplo. Cada banda vinha de uma parte diferente da Inglaterra e eles não se frequentavam. E pior: a imprensa musical local sempre foi contra e os detonava geral. Quem mais sofreu com isso foi Gary Numan, que acabou sendo banido para a obscuridade, injustamente por ter feito muito sucesso com 'Cars'.

Legal ver os integrantes dos grupos falando sobre a parada hoje (na verdade, o doc foi filmado em 2009) e mostrando que, se não fosse a influencia do Kraftwerk (principalmente dos discos 'Trans Europe Express' e 'Man/machine') e a queda dos preços dos aparatos, fabricados por empresas japonesas (que os separava dos caros paredões usados pela galera do progressivo, que custavam o mesmo que um carro ou uma casa pequena), nada teria rolado. Eles foram a versão eletronica do punk: garotos pobres do interior que compravam um teclado e iam à luta. De suma importancia também o envolvimento de Daniel Miller, da banda The Normal, que, ao fundar o selo Mute Records, só para lançar nomes do synth (como o louco Fad Gadget), revelou Depeche Mode, Yazoo e ajudou a deslanchar todo o resto. Ele é tipo o padrinho da parada (entrevistei Miller séculos atrás para o Rio Fanzine, quando a Mute fez 20 anos) e um cara pra se respeitar.

É isso. Corram nas torrents que o doc tem pra baixar e vale MUITO à pena:

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