Pular para o conteúdo principal

CLAVES PRETAS


Ha duas semanas, rolou de falar com o Dan Auerbach (o de barba na foto acima), vocalista e guitarrista da dupla americana Black Keys (a outra metade é o baterista/produtor Patrick Carney), e eu não perdi a chance. Ele falou pouco, pq era a morning after de um show, tava cansadão e com a voz detonada, mas contente. 'Tocamos em Chicago a noite passada, e foi muito legal, porque o Michael Jordan tava lá assistindo', fez questão de frisar.

 O papo que está no ar é que o Black Keys seria o 'Arcade Fire' da vez. Ou seja, uma banda indie que vai ser grande este ano, já figurando nas capas de revistas mainstream, tipo a 'Rolling Stone' e talz. Procede?
Dan = Não sei... só se for pq somos indie e estamos nas capas de revistas agora. Pode ser... mas somos bem diferentes, musicalmente...

Eles tinham tocado no imenso Madison Square Garden (nyc) ha poucas semanas, e já se preparavam para uma nova data no local. E ai, assustou?
 Dan = Tocamos lá na semana passada, e vamos tocar de novo em breve; é meio assustador, sim, pq é muito grande. Mas lotou. Acho que isso nos ajudou a aquecer para os shows nos festivais de verão na Europa, que serão muitos, alguns em lugares grandes -- lembrou, mas esquecendo de citar o americano  Coachella, no qual tocaram no dia 13 de abril.

O novo disco do BK, 'EL CAMINO' (lançado aqui via Warner), já é o sétimo deles. Tem gente que só ouviu falar de Black Keys de uns dois anos pra cá -- em parte pq eles foram ofuscados pelo fato de serem contemporaneos do white stripes e ter uma formação similar e fazer um som meio parecido--. Como ele vê a carreira da banda após sete álbuns, e o reconhecimento mais amplo vindo só agora?
 Dan = Bom, sete é um número especial, mágico, rolou uma progressão natural. Mas, de certa forma, foi algo meio inesperado (só ficar famoso agora), pq nós mesmos, às vzs, achávamos que não chegaríamos lá. Já pensamos até em carreira solo -- revelou.

Os americanos tem uma estreita relação com carros (numa sociedade que os privilegia), e El Camino é um modelo de van. Qual a relação deles com automóveis, e com o El Camino, em especial?
Dan = Nossa relação com carros é forte, e uma banda precisa muito de uma van para começar a fazer turnês. Nós sempre estamos num carro, de certa maneira. Nossa van é nossa casa em grande parte do ano. Nós realmente temos um El Camino, e resolvemos homenageá-lo...

Perguntei, de brincadeira, como não confundir Black Keys com várias outras bandas 'blacks' por aí, como Black Lips, Black Kids, Black Crowes, e até mesmo Black Sabbath (rs)
Dan = (rindo) Bom, pelo menos não temos nada a ver com o Black Eyed Peas (gargalhadas gerais). Das outras citadas, nós gostamos. Acho que ter 'black' no nome soa cool...

 Os Black Keys vem de Ohio, terra da batata, e tbm de Devo e The Pretenders. Ele me disse se chegaram a ter alguma influência destas bandas clássicas dos 80s:
 Dan = Diria que temos algo do Devo, pq gostava deles quando criança. Sei da (carreira da) Chrissie Hynde, a respeitamos. Ohio continua tendo uma cena muito underground, não sai muita coisa de lá, só a cada 20 anos, mais ou menos (rs),,,

No novo disco, eles trabalharam novamente com o dj/produtor Dangermouse, a metade da dupla Gnarls Barkley, que esteve com eles em 'attack & release' (2008)
 Dan = Ele é um cara muito bacana, já virou um irmão da gente. Por isso o chamamos de volta. Ele realmente entende do que faz...

No final do papo, Dan deixou escapar, sem dar detalhes, que já estão se movendo para vir tocar na América do Sul muito em breve:
 Dan = Já estamos nos mexendo para fazer isso (tocar no Brasil e arredores) e já recebemos ofertas, mas não podemos falar nada ainda...

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DANCETERIA, UMA MODA FUGAZ

POR CONTA DO POST ANTERIOR (QUE ERA SÓ SOBRE CLUBES ALTERNATIVOS QUE MARCARAM A NOITE CARIOCA), ME PERGUNTARAM SOBRE OUTRAS CASAS, QUE, NA VERDADE, ERAM DE SHOWS, DANCETERIAS. ENTAO, VAMOS LÁ, RELEMBRA-LAS. ANTES: VALE NOTAR QUE O NOME 'DANCETERIA' FOI IMPORTADO DE UMA CASA QUE TINHA ESSE NOME EM NOVA YORK, NOS ANOS 80. ALGUEM TROUXE PRA CÁ (ACHO QUE COMEÇOU POR SP) E ACABOU VIRANDO SINONIMO DE UM TIPO DE LUGAR, QUE MISTURAVA PISTA DE DANÇA COM UMA ATRAÇÃO AO VIVO NO MEIO DA NOITE. METROPOLIS = A PRIMEIRA COM ESSAS CARACTERISTICAS NO RIO FOI A METROPOLIS, EM SAO CONRADO, QUE, ASSIM COMO O CUBATÃO, TBM ABRIU NA SEMANA/MES EM QUE ACONTECIA O PRIMEIRO ROCK IN RIO, JANEIRO DE 1985. COMO O NOME INDICA, SEU LOGOTIPO E SUA DECORAÇÃO IMITAVAM O ESTILO DO CLASSICO SCI-FI DE FRITZ LANG, INCLUSIVE COM PASSARELAS NO MEIO DELA, QUE REMETIAM ÀS PONTES MOSTRADAS NO FILME. SÓ QUE TUDO COM NEON, CLARO. A METROPOLIS FOI PALCO DE MUITOS SHOWS DE BANDAS QUE NAO FAZIAM O PERFIL DO CIRCO VOADOR, PQ ...

BAYAAABAAA!

A TV ITALIANA LEMBRA A TV BRASILEIRA DOS ANOS 70, 80 UMA COISA MEIO SBT NOS PRIMÓRDIOS (TVS) OU TV CORCOVADO (PRE-CNT). É MUITO RUIM E SÓ PASSA COISAS ANTIGAS. O CURIOSO É QUE AS RADIOS LA SAO MAIS LEGAIS DO QUE AS DAQUI, MAIS VARIADAS (TEM ATE UMA VIRGIN RADIO, DE ROCK EM GERAL). MAS A TV LOCAL É DO ARCO DA VELHA. LOGO QUE CHEGO NUMA CIDADE DOU GERAL NO LINEUP DE AUDIO E VIDEO. EM ROMA, ACHEI UM CANAL DEDICADO AOS LANCES JAPAS, A NEKO TV, MAS QUE, CURIOSAMENTE, EXIBIA 'BIGFOOT & WILDBOY', SERIE TRASH DA DUPLA SID & MARTY KROFT (ELO PERDIDO), QUE ROLAVAQUI NO SBT. ATE AI, TUDO BEM. MESMO NAO SENDO JAPA, FAZIA SECULOS QUE NAO VIA AQUILO (AQUI, PÉ GRANDE E GAROTO SELVAGEM). ACONTECE QUE, PELOS PRÓXIMOS CINCO DIAS QUE PASSEI NA CIDADE, O CANAL SÓ EXIBIA O MESMÍSSIMO EPISÓDIO DA PARADA (AQUELE EM QUE APARECE UM SOSIA DO PÉ GRANDE), EM VARIOS HORARIOS! LIGAVA A TV PELA MANHÃ, TAVA LÁ. CHEGAVA DA RUA A NOITE, DE NOVO, A MESMA COISA. O GRITO DE GUERRA DO BIGFOOT, BAYAAABAA! A...

UM BELO FILME DE VINGANÇA!

  Nesta semana, chega aos cinemas brasileiros um concorrente do Oscar nas categorias principais: filme, atriz e direção, entre outras. “Bela Vingança” (“Promising Young Woman”), desde já um dos melhores e mais perturbadores filmes do ano.   Tanto o trabalho de atuação e entrega de Carey Mulligan (como a perturbada Cassandra), como a direção firme de Emerald Fennell (atriz de séries como ‘The Crown’ e ‘Killing Eve’, estreando na direção de longa, com muita competência), bem como toda a parte técnica do filme (além do bom roteiro, fotografia e som impecáveis) é irretocável. O resultado final é um dos mais formidáveis filmes de vingança já vistos. Carey Mulligan, como Cassie      Acompanhamos a tímida e frágil Cassandra, que apesar de já estar na casa dos 30 anos, ainda mora com os pais e não tem namorado (não que isso seja obrigatório, parece nos dizer a personagem, embora não os evite). E, mesmo tendo sido uma universitária com altas notas na cadeira que escolh...