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O VINGADOR SOLITÁRIO


   Chega nesta segunda semana de maio, aos cinemas brasileiros, o remake de 'Desejo de matar', clássico filme de crime dos anos 70, que marcou a carreira de Charles Bronson, como a de um matador de olhos frios. No caso, o filme original, seria apenas mais um retrato daquela época, quando o crime explodia em grandes cidades americanas, como Nova York, onde ele se passa.


Mas, fez tanto sucesso, que deu origem a mais quatro sequencias, e a todo o tipo de imitações. Na trama, um pacato arquiteto, acaba assumindo o papel de um vingador (e sai matando criminosos a esmo), quando sua filha é estuprada e sua mulher morre, num assalto ao apartamento da família, cometido por uma gangue. Curiosamente, um deles, é o então desconhecido, Jeff Goldblum. Outra curiosidade é que, as continuações, não vieram imediatamente. A maioria, foi lançada nos anos 80; e, o ultimo da série, já na década de 90. A trilha sonora foi assinada por Herbie Hancock.


Na refilmagem, tudo teve de ser atualizado, para não ficar muito descompassado com os dias de hoje. Embora a trama básica mostre a morte da esposa de um pacato cidadão (agora, um cirurgião, feito por Bruce Willis; mas que usa o mesmo nome do personagem de Bronson, Paul Kersey) e do trauma sofrido por sua filha (não mais violentada, e mais jovem), durante um roubo a residencia, desta vez, o vingador solitário sai em busca dos assassinos da esposa, não sai matando qualquer um. E, nestes tempos de celulares com câmera e internet, a medida em que ele vai dando cabo dos bandidos, tudo é jogado nas redes, o que torna o vigilante uma figura amada e odiada pelo publico -- alem de fazer uma bela analogia/ironia com os tempos atuais, onde se discute o uso de armas. A cidade, agora é outra, Chicago, para onde vai o personagem de Bronson, no final do original.


O diretor Eli Roth (da serie 'O albergue', um dos filmes-marco do que se convencionou chamar de torture porn) é afeito ao cinema de horror, com muitas tripas e sangue. E não poupa nada disso neste remake. Em comparação, o dos anos 70 é até bem menos violento e explícito. Contudo, Roth salpica um pouco de humor negro em algumas cenas, o que, as vezes, estraga um pouco o clima. Mas, no geral o novo 'Desejo de matar' é eficaz como filme de ação; embora a crítica norte-americana, neste tempos PC, tenha preferido execra-lo, para não 'apoiar a violência'. Bobagem.

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