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STANARD E A 'PAREDE VOODOO'

   Uma das bandas ‘oitentistas’ mais bacanas, que poucos tomaram conhecimento (jamais teve disco lançado oficialmente no Brasil), foi a americana Wall of Voodoo. Capitaneada pelo genial Stanard ‘Stan’ Ridgway (um dos letristas mais interessantes daquela geração) ela teve um breve momento de fama, quando estourou a música “Mexican Radio” (de seu segundo álbum, “Call of The West”), que teve boa rotação na MTV e vendeu muito. Mas, acabou sendo um caso de one hit wonder. E, Stan e a banda, voltaram para o undergroud rapidinho. Na verdade, depois disso, rolou um racha e, Stan, foi trilhar caminho solo, enquanto o que restou da banda tentou manter o curso.    Não conseguiram. Porque, a alma do Wall of Voodoo era Stan. Ele começou a banda (na verdade, era apenas ele, sua harmônica e um monte de traquitanas eletrônicas), no fim dos anos 70, como um projeto de seu estúdio Acme Soundtracks, criado especialmente para fazer trilhas sonoras para terceiros (f...

O CHATO QUE TORNA O MUNDO MENOS CHATO

    Há 20 anos, o HBO estreava uma série inusitada, ‘Curb your enthusiasm’ (‘segure a onda’). Era uma espécie de meta reality show, no qual acompanhávamos o dia a dia de um coroa rabugento, Larry David (como ele mesmo), em suas andanças por Los Angeles (cafés, restaurantes, campos de golf etc) e pelas casas de amigos famosos de Hollywood (alguns também como eles mesmos; outras vezes, fazendo personagens. a lista de convidados famosos é imensa). O detalhe é que, Larry, é ninguém menos do que um dos co-criadores de ‘Seinfeld’, aquela série sobre nada, que fez o maior sucesso nos anos 90, e virou cult.    O que fez de 'curb' um sucesso -- que perdura por duas décadas --, é que, Larry nunca escondeu que é um ferrenho guerreiro contra o politicamente correto e contra agendas ideológicas idiotas. Ele, como judeu, p ex, está pouco se lixando se assoviar Wagner (tido como anti-semita, mesmo tendo morrido antes da chegada de Hitler) vai incomodar. Ou se podemo...

OI, VEY! HUNTERS É TOV!

 Assinei o serviço de streaming Prime Video, da Amazon, por causa de 'The Boys' (e, pela ótima promoção do valor anual de inauguração, apenas $80, à vista). Mas, se fosse hoje, o faria por 'Hunters'. Desde 21 de fevereiro, estou grudado na nova série original Amazon. Ela marca a estreia de Al Pacino na TV. Na verdade, Pacino estreou numa série policial para TV, “N.Y.P.D”, em 1968. Mas, num papel pequeno e num único episódio. Agora, ele é o ator principal.  E, chamar “Hunters” simplesmente de ‘série de TV’ é reduzir bastante as qualidades da atração, já que a TV, hoje em dia, está tão boa - ou melhor - do que o cinema. Exemplos não faltam.  O piloto de 'Hunters', por exemplo, é um sensacional filme de 90 minutos, que não apenas vende muito bem a ideia, como deixa gosto de quero (muito) mais, com um bom gancho para sequência (são 10 episódios).  A trama, acompanha um grupo de caçadores de nazistas em Nova York, em 1977 (usando fatos que realm...

NOVO HOMEM INVISÍVEL, TORNA VISÍVEL UM PROBLEMA

    Recentemente, a Universal Pictures falhou, fragorosamente, ao tentar fazer de sua linha de Universal Monsters (Dracula, Lobisomen, A Múmia, O Homem Invisível etc) uma série de sucesso, na linha de outras, como a dos quadrinhos Marvel e DC, as diversas marcas de êxito da Disney (Star Wars, Pixar) e tantas mais, que vem dominando as bilheterias de cinema nos últimos tempos. O começo foi discreto, com um filme OK, que contava as origens da Drácula (‘Dracula untold’/’Drácula: a história nunca contada’, 2014). Depois, cheia de pompa, com direito a criação oficial do Dark Universe, veio ‘A múmia’ (2017), que naufragou. O problema? Parecia mais um filme ‘Missão: impossível’, com Tom Cruise e tudo, fazendo suas acrobacias. Não é tão ruim. Mas, Cruise, neste caso, mais atrapalhava do que ajudava. Má escolha.    Agora, sem grandes nomes no elenco, e mais discreto, chega o novo ‘O Homem Invisível’ (que, no Dark Universe, seria feito por Johnny Depp), de ...

O PRIMEIRO (E ÚNICO) ZÉ DO CAIXÃO. R.I.P.

   Praticamente, conheço, e tenho (tinha) medo de Zé do Caixão, desde criancinha. Meu pai, via os filmes dele e me falava da figura, pra assustar (tipo, se você não fizer tal coisa, zé do caixão vem te pegar à meia-noite). Mesmo sem poder ver os filmes, morria de medo só de ouvir a música dele. Na época, virada dos 60s pros 70s, Zé do Caixão, mais do que um nome cinematográfico, já era uma espécie de lenda folclórica, bicho papão brazuca. Eu não sabia, então, que ele realmente existia como pessoa. Só nos anos 80, a partir de cartazetes de cinema nos jornais, vi que ele existia de verdade. E era um ator. O meu primeiro filme dele (que, na época, não assisti, sonhava apenas vendo o cartaz) foi 'A estranha hospedaria dos prazeres'. sim, era um terror meio erótico. depois de seus primeiros filmes em p-b, assustadores, Zé teve de se virar como pode para não sair do mercado.      Pulo no tempo e, estamos nos 90s, e uma festa de terror, na extinta Dr. Smith (Bot...

ABRAM OS OLHOS PARA O CINEMA COREANO!

   Com a vitória de ‘Parasita’, nas principais categorias do Oscar 2020 (filme, diretor, roteiro original), o moderno cinema sul-coreano, entrou no mapa-múndi, de vez. Porque, filmes bons, estão produzindo há mais de década. Basta lembrar de ‘Oldboy’ (2003), de Chan-Wook Park, um dos mais complexos e perturbadores filmes de vingança de todos os tempos. Hollywood refilmou, com direção de Spike Lee, e foi uma tragédia. Ruim demais. Não tiveram a coragem de ir tão a fundo quanto o original. Então, pra quê?    Desde então, quase todo ano, um excelente filme sul-coreano chega às telas dos cinemas daqui, ainda que atrasado. No Brasil, sempre relegados a salas alternativas, com público pequeno (será porque coreanos? Nos EUA, é a preguiça de ler legendas). Como aconteceu com ‘O hospedeiro’ (2006), de Bong Joon Ho (diretor do aclamado ‘Parasita’), que foi lançado no circuito de arte. E ficou só nele.    Assim como aconteceu com o maior e mais a...

SEXO, DROGAS E MÚSICA CLÁSSICA

Nos dias atuais, todo mundo só quer ver o que acabou de sair e o que está hypado nas redes. Às vezes, deixamos passar coisas boas, porque não estão nos trendings. É o caso de “Mozart in the Jungle”, ótima série do Amazon Prime Video. A produção é de 2014 e foi encerrada em 2018, após quatro temporadas (pena). Na primeira, ganhou dois Globos de Ouro. Um, na categoria ‘melhor série comédia ou musical’. E outro, para o protagonista, Gael Garcia Bernal. Como, na época, a Amazon ainda não tinha entrando com o seu serviço de streaming no Brasil (mal tem um ano aqui), nem tomamos conhecimento.    Então, está na hora de descobrir essa excelente surpresa, que tem entre os seus criadores os primos Jason Schwartzman e Roman Coppola, da nova geração de Hollywood. Eles já andaram fazendo muitas coisas boas nos últimos anos, aliados a Sofia Coppola (irmã de Roman, ambos filhos do mestre Francis Ford Coppola) ou ao criativo Wes Anderson. Essa turma escreve, produz, atua, dirige, ...