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AO REDOR DE ALMA

   Há alguns anos, o diretor americano Richard Linklater (de ‘Boyhood’), realizou um sci-fi chamado ‘A scanner darkly’ (aqui, ‘O homem duplo’, 2006, com Robert Downey Jr. e Keanu Reeves), que ele mesmo roteirizou, a partir de um original de Philip K. Dick (cujas obras viraram filmes sci-fi clássicos, como ‘Blade runner’ e ‘O vingador do futuro’). Neste, usou a técnica de rotoscopia, que consiste em filmar as cenas com atores de verdade, e depois, cobri-las com animação e efeitos, coisa que já se faz desde os tempos de ‘Branca de Neve’ (1937), da Disney. Mas, em geral, é uma técnica pouco usada.    Agora, uma série exclusiva da Prime Video, ‘Undone’, traz de volta a técnica da rotoscopia, com mais elementos do que antes: mistura CGI (animação computadorizada) com 3D e outras técnicas atuais, levando a rotoscopia a um novo patamar. E, que tem a ver com a proposta da série. Que é a de mostrar realidades alteradas, percepções de realidades diferentes,...

DOSE DUPLA DE WILL SMITH

   Nos anos 1970, houve uma série de TV que foi muito popular nos EUA, e aqui, também: ‘Gemini man’, que, no Brasil, ganhou o subtítulo de ‘O homem invisível’. Isto, porque, o herói (feito por Ben Murphy) usava um relógio digital estiloso, que o deixava invisível por 15 minutos (na verdade, era um estabilizador, visto que ele sofreu uma mudança molecular, após explosão num laboratório de pesquisas). Assim, ele se transforma numa espécie de agente secreto (mesmo) e conseguia resolver seus casos. Mas, havia um porém: se ultrapassasse o tempo de 15 minutos, ficaria invisível para sempre.    Agora, décadas depois, surge um filme que usa o mesmo nome, no original, ‘Gemini man’, mas não tem nada a ver com aquela série de curta existência (foram apenas 11 episódios). Trata-se de ‘Projeto Gemini’, que une o astro Will Smith ao premiado diretor taiwanês Ang Lee (duas vezes ganhador do Oscar pelos filmes ‘A vida de Pi’ e ‘O segredo de Brockeback Mountain’). Neste...

HEBE: A ESTRELA DO BRASIL

Nos últimos dois ou três anos, temos visto nas telas, várias cinebios com personalidades da cultura pop brasileira. A sequência, abriu com o ótimo ‘Bingo, o rei das manhãs’ (que retratava a trajetória, do céu ao inferno, do famoso palhaço Bozo, em atuação visceral de Vladimir Brichta), passou pela do Chacrinha (apesar da ótima ‘encarnação’ de Stepan Nercessian, a peça musical, feita também por ele, é melhor) e, foi caindo de ritmo com o do Erasmo Carlos (‘Minha fama de mau’, morninho) e, mais recentemente, o do Simonal (que poderia ter sido bem melhor). Agora, temos o filme da Hebe, ‘A estrela do Brasil’. Como ele fica neste ranking?  Fica bem. E ste, se passa num recorte específico de tempo, o começo dos anos 80. O Brasil vive uma de suas piores crises, e Hebe, aparece na TV, toda semana, ao vivo, trazendo um pouco de ânimo, para alegrar as pessoas. Tinha completado 40 anos de profissão e perto de chegar aos 60 anos de vida. Era uma mulher forte e à frente de seu tempo...

'J', DE JOAQUIN E JOKER

   Depois de sair vencedor do Festival de Veneza 2019, onde levou o Leão de Ouro de melhor filme, ‘Coringa’ (‘Joker’) chega neste fim de semana aos cinemas dos EUA e do Brasil, já envolto em polêmicas: a cidade americana de Aurora, no Colorado, não vai exibir o filme lá. Porque, foi num cinema local, onde um maluco, vestido como o Curinga de Heath Ledger, de ‘Batman: the dark night’ (2012), de Christopher Nolan, abriu fogo contra a plateia. Por isso, nas premières do filme, em Los Angeles e Nova York, foram permitidos apenas fotógrafos. Imprensa escrita foi barrada, para evitar perguntas ao elenco.    O motivo? O personagem, um psicopata anarquista, que visa promover o caos em Gotham City, nunca foi tão forte, como no apresentado neste filme, que leva apenas o seu nome. Tudo, graças a MAGNÍFICA interpretação de Joaquin Phoenix, que nem pode ser comparada a de Ledger (que levou Oscar póstumo de ator pelo papel). É outra vibe. Joaquin, vem se 'preparando'...

O ASTRONAUTA E OS CROCODILOS

AD ASTRA: RUMO ÀS ESTRELAS       Espaço, a fronteira final, dizia voz na abertura de ‘Star trek’, na TV. 50 anos depois, mal saímos da lua ainda, e estamos tentando ir à marte. Em ‘Ad astra: rumo às estrelas’, o diretor James Gray (‘Z: A cidade perdida’, 2016) nos leva um pouco mais longe: aos confins de nossa galáxia. É para lá que é enviado o astronauta Roy McBride (Brad Pitt), na tentativa de encontrar um veterano astronauta (Tommy Lee Jones) que foi dado como desaparecido, numa missão até Netuno. O desaparecido, é seu pai.    Nesta jornada, íntima e pessoal (Pitt, em ótima atuação, digan de prêmios, é quase sempre o único em cena, perdido em seus pensamentos), Gray nos dá um filme que lembra, esteticamente, sci-fis clássicos dos anos 1970, até pela fotografia granulada. Os efeitos especiais são bons e discretos, e o que importa, verdadeiramente, é a trama. No caminho, vai nos acenando com referências que vão do clássico ‘2001’ a ‘O enigm...

BRUUUUCE É A LUZ QUE NÃO CEGA

Recentemente, em ‘Yesterday’, pequeno filme, dirigido por Danny Boyle (‘Trainspotting’), vimos o que aconteceu na vida de um jovem musico medíocre (e filho de imigrantes indianos), por apenas só ele lembrar das músicas dos Beatles, num mundo onde – por conta de um evento fantástico - os Fab Four jamais existiram.   Agora, está em cartaz ‘A música da minha vida’ (‘Blinded by the light’), que apresenta um jovem britânico, descendente de paquistaneses, que tem a vida completamente transformada, depois que descobre a obra de Bruce Springsteen. Só que, desta vez, baseado em fatos reais.    Desta vez, a trama não se passa nos dias atuais, como em ‘Yesterday’, mas nos anos 80. Mais precisamente em 1987, quando Javed (Viveik Kalra), jovem aspirante a jornalista, descobre nas letras do Boss (como o musico americano é conhecido por seus fãs) a voz para suas angustias, o artista que lhe mostra a luz. Quantas vezes isso não aconteceu em nossas vidas? Bem me lembro, qua...

TERROR ÀS CLARAS

       Há pouco mais de um ano, o diretor estreante em longas, Ari Aster, surpreendeu público e crítica, com ‘Hereditário’, um horror moderno, que lembrava o clima de clássicos do gênero, como ‘O bebê de Rosemary’ (1968), de Polanski, por mostrar pouco e assustar muito, com enredo que construía uma atmosfera de terror aos poucos e deixava a plateia atônita. O tipo de filme que te faz sair da sala ‘bolado’.    Por isso, mal ‘Hereditário’ estreou, Aster ganhou luz verde para já começar a rodar ‘Midsommar’, que estreia no Brasil esta semana, com o subtítulo ‘O mal não espera a noite’. Mais uma vez, é um filme que tem sua atmosfera construída lentamente (e, até por isso, dura 2h40m) e, como o filme anterior, também tem a ver com um culto. No caso, mostra jovens americanos que vão acompanhar celebração do solstício de verão, na Suécia. Só que, na vila em que vão, levados por um amigo local, lá, a cada 90 anos, ela acontece de uma forma difer...